
Lula prevê solução definitiva entre Brasil e EUA em poucos dias
Em tom otimista, presidente afirma que negociações sobre tarifas avançam e reforça defesa do comércio justo entre os países
Por Nossa Terra
· 4 min de leitura ·
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (27) estar otimista quanto à suspensão das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, e disse acreditar que, em poucos dias, os dois países chegarão a um acordo definitivo.
“Tive ontem na reunião [com o presidente Donald Trump] uma boa impressão de que logo, logo não haverá problema entre Estados Unidos e Brasil”, declarou Lula em coletiva de imprensa realizada em Kuala Lumpur, na Malásia, às 11h de segunda-feira (27), horário local (meia-noite no Brasil).
O presidente acrescentou estar confiante em uma resolução rápida:
“Estou convencido de que, em poucos dias, teremos uma solução definitiva entre Estados Unidos e Brasil para que a vida siga boa e alegre, do jeito que dizia o Gonzaguinha na sua música”, afirmou.
Negociações e argumentos econômicos
Durante o encontro, Lula disse ter reforçado o argumento de que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil, o que, segundo ele, não justificaria a taxação de produtos brasileiros. O presidente informou ainda ter entregado um documento com os principais temas que pretende discutir nas negociações.
“Eu não estou reivindicando nada que não seja justo para o Brasil, e tenho do meu lado a verdade mais verdadeira e absoluta do mundo: os Estados Unidos não têm déficit com o Brasil. Essa foi a justificativa da famosa taxação ao mundo — que os Estados Unidos só iam taxar os países com quem tinham déficit comercial”, explicou.
Questionado por jornalistas se Trump havia feito alguma promessa ao Brasil, Lula respondeu com bom humor:
“Eu não sou santo para receber promessas. O que ele tem que fazer é compromisso. E o compromisso que ele fez é o de construir um acordo de muito boa qualidade com o Brasil.”
Próximos passos nas negociações
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que também participou da coletiva, informou que nas próximas semanas haverá reuniões entre as equipes técnicas dos dois países para definir os detalhes do acordo.
“Concordamos em trabalhar para construir um acordo satisfatório para ambas as partes. Nas próximas semanas, acordamos um cronograma de reuniões entre as equipes negociadoras, com foco nos setores mais afetados pelas tarifas”, afirmou.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, avaliou que as tratativas estão progredindo rapidamente:
“As discussões com os Estados Unidos estão avançando espetacularmente bem. O Brasil solicita a reversão da decisão política tomada [relativa à taxação]. Os aspectos políticos que poderiam existir já não estão mais na mesa. Graças a essa posição, hoje tratamos de um acordo comercial, e não de questões de outra natureza”, destacou.
Diálogo sobre Venezuela e COP30
No encontro com Trump, Lula também se colocou à disposição para ajudar nas negociações sobre a situação da Venezuela.
“Isso ficou muito claro: se precisar que o Brasil ajude, estamos à disposição para negociar”, disse.
O presidente ressaltou que o Brasil não tem interesse em conflitos na América do Sul.
“A nossa guerra é contra a pobreza e a fome. Se a gente não conseguir resolver o problema da fome e da miséria, como vai fazer guerra? Para matar os famintos? Não dá para achar que tudo se resolve à base da bala”, completou.
Lula informou ainda ter reforçado o convite para que Trump participe da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA). Ele lembrou que o então presidente norte-americano havia anunciado a saída dos EUA do Acordo de Paris.
“Convidei ele para ir à COP outra vez. Disse: ‘É importante que você vá para dizer o que pensa. Se não acredita nas coisas, vá lá para poder dizer o que pensa’. Não podemos fingir que não existe uma crise climática”, afirmou.
Expansão de parcerias na Ásia
Na coletiva, o governo brasileiro também destacou a importância das visitas à Indonésia e à Malásia, parte da estratégia de diversificação de parcerias e atração de investimentos.
“O Sudeste Asiático é o epicentro do crescimento global, uma zona dinâmica e polo de inovação tecnológica. Está no centro das prioridades da política externa brasileira”, disse o chanceler Mauro Vieira.
Lula acrescentou que o Brasil apoiará a entrada da Malásia como membro pleno do Brics, grupo do qual o país atualmente é parceiro.
Lula celebra 80 anos
No encerramento da entrevista, o presidente — que completou 80 anos neste 27 de outubro — comentou o momento especial que vive.
“Estou no melhor momento da minha vida. Nunca me senti tão vivo e com tanta vontade de viver”, afirmou sorrindo.
Continue lendo em Política
Ver tudoQuase 1 milhão de brasileiros no exterior aptos a votar nas eleições de 2026
São 918.876 eleitores em 134 países, representando pouco mais de 0,5% do eleitorado nacional
Exército realiza oitava edição do Guardião Cibernético antes das eleições
Evento reuniu 1,3 mil participantes, 300 organizações de 14 países e simulou ataques a serviços essenciais
Justiça Eleitoral amplia recursos de acessibilidade para 1,97 milhão de eleitores com deficiência
Seções acessíveis crescem 41% e urnas oferecem áudio, Braille e intérprete de Libras
Jantar de Trump e Xi na Casa Branca tem menu com toque chinês e brinde à paz
O cardápio combina ingredientes americanos com influências sutis da culinária chinesa e inclui brinde histórico
Candidatos às eleições 2026 ficam imunes a prisão a partir de 19 de outubro
Imunidade vale 15 dias antes do primeiro turno e até 48 horas após o voto, exceto em flagrante delito
Remessa de processos ao gabinete de Fachin abre caminho para troca de relatoria no STF
A medida pode levar à substituição de André Mendonça como relator dos casos Master e das fraudes no INSS
Deputado Nikolas admite ajuda de Vorcaro em campanha de 2022 e minimiza conversas vazadas
Ele reconheceu apoio logístico e trocas de mensagens, mas classificou o conteúdo como irrelevante.
Senado adia votação da PEC que elimina escala 6x1 após ação da oposição
A proposta deve ser votada somente após o primeiro turno das eleições de outubro
Horário eleitoral gratuito começa nesta sexta e segue até 1° de outubro
Candidatos terão dois blocos diários de 25 minutos nas rádios e TVs, com horários diferenciados por cargo









