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Foto: Reprodução/agenciabrasil.ebc.com.br

Lula e Flávio Bolsonaro protagonizam debate acirrado na TV Band

Candidatos trocam acusações, apresentam propostas e enfrentam intervenções dos mediadores

Por Nossa Terra

· 5 min de leitura ·

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Candidatos à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), participaram neste domingo (18) de debate realizado pela TV Bandeirantes. O encontro foi marcado por provocações entre os candidatos e, em alguns momentos, necessidade de intervenção dos mediadores.

No primeiro bloco, Lula questionou Flávio sobre os R$ 134 milhões recebidos do banqueiro Daniel Vorcaro e a defesa de acusado de assassinar uma criança. O presidente também dirigiu ao candidato do PL perguntas sobre proximidade de assassinos da vereadora Marielle Franco, posição contrária à marcação numerária nas cápsulas de munições e voto contra a ampliação da licença-maternidade durante mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Flávio não respondeu aos questionamentos e fez perguntas sobre o filho de Lula, Fábio Luís, investigado por participação em suposto esquema de tráfico de influência. Ele ainda acusou o governo Lula de responsabilidade por irregularidades no INSS.

No debate de propostas, Flávio disse que pretende classificar facções criminosas como narcoterroristas e afirmou que vai construir, caso eleito, 500 mil vagas no sistema penitenciário. Já Lula reafirmou que criará o Ministério da Segurança Pública para definir os papéis de municípios, estados e União, combater a criminalidade e envolver o governo federal nas ações que hoje são de responsabilidade de prefeitos e governadores.

Em um questionamento dos mediadores sobre a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), Flávio respondeu que indicaria o médico Cláudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein, para o cargo de ministro da saúde, com a ideia de instituir um "padrão Einstein no SUS". Na sua vez de responder, Lula afirmou que o adversário fala sobre o SUS sem jamais ter usado um serviço público de saúde e questionou se Flávio tem o intuito de privatizar o sistema público. Lula também lembrou da condução da pandemia entre 2020 e 2022, citando os mais de 716 mil mortos pela "irresponsabilidade do governo" Bolsonaro, e declarou: "Eles tiveram uma experiência de quatro 4 anos. E foi o maior desastre da história desse país. Poderia ter evitado metade das mortes se ouvisse a ciência, se acreditassem a ciência. Eles não acreditavam".

Flávio interrompeu Lula, que não tinha direito de fala no momento, exigindo intervenção da jornalista Adriana Araújo, mediadora do debate, ao lado de Eduardo Oinegue. Mais adiante, ao responder à crítica de Lula sobre a condução da pandemia, Flávio tentou defender o governo do pai, afirmando: "Tivemos uma pandemia, dois anos de pandemia, isso é uma coisa nova que ninguém sabia direito como enfrentar, mas o Bolsonaro deu o seu melhor."

Em outra rodada, Flávio citou os assassinatos de Renata Teles, em dezembro de 2023, e de um sargento da Polícia Militar em Minas Gerais, para criticar as saídas temporárias de presos, chamada de "saidinhas". Acusou Lula de priorizar os direitos dos condenados em detrimento das vítimas e perguntou se o presidente é favorável ou contrário à manutenção do benefício. Lula defendeu a manutenção da saída temporária para presos que apresentem bom comportamento e estejam em processo de recuperação, mas argumentou que casos condenados por estupro, violência contra mulheres e crimes graves não deveriam receber o benefício.

O presidente acusou Flávio de defender um eventual indulto ao pai, Jair Bolsonaro, condenado por crimes de tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, alegando que essa medida teria consequências mais amplas sobre outros condenados. Flávio, ao abordar o fim da escala 6x1, afirmou ter votado a favor da matéria após ouvir a opinião de trabalhadores, dizendo: "Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que se for convencida posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros".

Lula respondeu que o adversário não conhece nem usa serviços públicos, declarando: "O meu adversário, ele conhece ônibus por literatura, ele nunca entrou no ônibus. Ele conhece trabalhador por literatura, porque ele nunca conversou com o trabalhador. Aliás, ele nunca trabalhou. Você conhece o cidadão que nunca trabalhou?"

No terceiro bloco, Lula desafiou Flávio a abrir sigilos bancário e telefônico de ambos, incluindo os de seus familiares, para que fossem apuradas eventuais irregularidades antes das eleições, afirmando: "Eu desafio você. Amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos o nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país". Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a proposta, e acusou o presidente de manter recursos fora de suas contas.

No campo internacional, Lula questionou a relação de Flávio com os Estados Unidos e levantou preocupações sobre a soberania brasileira na exploração de minerais críticos. O presidente também acusou a família Bolsonaro de se subordinar aos interesses norte‑americanos. Flávio defendeu a cooperação internacional no combate ao crime organizado e negou ter trabalhado para impor tarifas contra empresas brasileiras, apesar dos apelos do irmão, Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos EUA.

Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das políticas de segurança pública, com ampliação da vigilância por câmeras de reconhecimento facial em todo o país e maior rigor nas punições. Lula rebateu citando medidas de seu governo, como o programa Celular Seguro, que bloqueia aparelhos roubados de forma imediata, e criticou o adversário por apresentar propostas repetidas e sem reconhecer ações já implementadas.

Ao final do debate, o Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de São Paulo foi acionado para investigar uma suspeita de bomba em um carro no estacionamento da Band que pertenceria à equipe de Flávio Bolsonaro. Durante a ação policial, jornalistas e convidados foram impedidos de deixar a emissora. Após varredura, nada foi encontrado e o local acabou liberado.

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