
Lewandowski defende integração de dados de segurança entre países do Mercosul
Ministro anuncia acordo contra tráfico de pessoas e destaca necessidade de banco regional de informações sobre organizações criminosas
Por Nossa Terra
· 2 min de leitura ·
Ao anunciar um acordo de cooperação com ministros de segurança dos países do Mercosul para fortalecer o combate ao tráfico de pessoas, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, defendeu, nesta quinta-feira (13), em Brasília, a integração de dados entre as nações que compõem o bloco.
Lewandowski lembrou que o projeto de Lei Antifacção, em discussão na Câmara dos Deputados, prevê a criação do Banco Nacional de Informações sobre o Crime Organizado.
“Eu tenho a certeza que essa comissão vai evoluir para criar um banco regional de dados sobre os criminosos, sobretudo sobre os faccionados, aqueles que são membros de organizações criminosas”, afirmou.
“Integração é a chave”
O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Escudero, disse à Agência Brasil que a integração é essencial no enfrentamento ao crime organizado. Para ele, os acordos com os países do Mercosul tendem a ser ampliados, caminho que considera indispensável para conter o avanço das facções.
“Mais do que enfrentá-los, precisamos ser mais criativos, mais rápidos, porque senão é uma luta assimétrica”, declarou Escudero, que assumirá a presidência pró-tempore do grupo de ministros responsáveis pela segurança pública.
Acordo contra tráfico de pessoas e novas estratégias
Sobre o acordo de cooperação voltado ao combate ao tráfico de pessoas, Lewandowski destacou que se trata de um avanço significativo contra um crime que frequentemente vitima pessoas indefesas.
O ministro também afirmou que foi criada uma comissão e uma estratégia do Mercosul contra o crime organizado transnacional, com ações de curto, médio e longo prazo, destinadas a ampliar a integração entre os Estados-membros.
Outro compromisso firmado foi uma declaração conjunta para a segurança do corredor viário bioceânico, que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico por via terrestre e hidroviária, além de uma declaração de vigilância de crimes ambientais.
“Ninguém consegue sozinho”
A secretária de Seguridade Nacional da Argentina, Alejandra Montioliva, afirmou que nenhum país consegue enfrentar o crime organizado de maneira isolada.
“A articulação de respostas em nossos países requer cooperação e integração. Essa cooperação tem que ter viabilidade técnica e viabilidade política. Sem isso, é impossível”, ponderou.
Lewandowski reforçou que os acordos representam declarações de intenção que se transformarão em ações e programas concretos desenvolvidos pelas equipes dos países. O ministro paraguaio acrescentou que as autoridades do bloco vêm se atualizando, já que o crime organizado utiliza práticas inimagináveis há 30 anos.
“Não se conhecia a ciber delinquência. Hoje está incorporada aos acordos de segurança do Mercosul. Não se conhecia o crime organizado como hoje o conhecemos.”
Sobre o tráfico de drogas, Escudero lamentou seu impacto devastador no continente.
“É um problema de segurança pública e também de saúde pública.”
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