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A Eleição Passou, Mas o Estrago Psicológico Só Começou

Por Márcio Lima · Saúde e Espiritualidade

· 3 min de leitura ·

As urnas já fecharam, os discursos de vitória terminaram e os números foram oficializados. Mesmo assim, para milhões de pessoas, a sensação de alívio simplesmente não veio. As brigas inflamadas durante a campanha deixaram marcas abertas na sala de casa, nas rodas de amizade de longa data, nos corredores do trabalho e nas telas dos celulares. Ansiedade crônica, insônia, irritabilidade constante e um sentimento persistente de desamparo sobre o futuro mostram que a disputa partidária deu lugar a uma crise silenciosa de saúde mental.

Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Juscimária Bezerra, ao Jornal Diario do RN, superar esse período não é uma chave que se vira da noite para o dia. Enquanto alguns conseguem desapegar rapidamente da tensão, outros entram em um estado de paralisia emocional prolongada.

"Nem sempre essa tensão vai acabar quando as eleições terminam. Na prática, as preocupações referentes ao futuro, as discussões que ocorreram no meio social e até as mágoas relacionadas às questões eleitorais podem continuar. Algumas pessoas conseguem retomar a rotina de forma mais rápida, porém outras precisam de um tempo para reelaborar tudo o que viveram, reestruturar as emoções e conseguirem se reorganizar", explicou a especialista.

O termômetro mais urgente para esse esgotamento é o impacto direto no cotidiano:

"O importante é observar se essa tensão está diminuindo ou se continua ocupando um espaço que vai prejudicar o sono, o trabalho e a convivência. Se estiver interferindo nessas áreas, o ideal é procurar um profissional da saúde, um psicólogo, para trabalhar essas questões", alertou Juscimária.

Os 3 Gatilhos do Colapso Psicológico (e Suas Saídas)

Na prática, o desgaste prolongado que impede o encerramento do ciclo eleitoral decorre de três pilares fundamentais de tensão:

  1. Proliferação de Teorias da Conspiração Pós-Pleito:

    A recusa em aceitar o resultado alimenta narrativas conspiratórias e uma sensação constante de que as regras foram violadas, gerando pânico e instabilidade contínua.

    • A saída: O reconhecimento público e inequívoco da derrota pelas lideranças políticas envolvidas, validando o rito democrático e sinalizando aos apoiadores que o jogo institucional se encerrou.

  2. Ruptura de Laços Afetivos e Familiares:

    Transformar a divergência de voto em cancelamento afetivo destrói redes de apoio essenciais e aprofunda o isolamento social.

    • A saída: Resgatar a maturidade de convivência. Como reforça a psicóloga: "É natural que existam opiniões diferentes. Nós não precisamos pensar igual para que possamos nos respeitar."

  3. Desgaste Emocional e Esgotamento Cognitivo:

    O hábito de ruminar discussões, checar notícias freneticamente e antecipar tragédias futuras mantém o organismo sob estresse contínuo, prejudicando o sono, o foco e o equilíbrio biológico.

    • A saída: Impor uma quebra deliberada desse ciclo por meio de higiene mental — limitando o consumo de telas e informações políticas, restabelecendo a rotina de descanso e buscando auxílio terapêutico quando a sobrecarga paralisar a rotina.

Passos Práticos para Romper o Ciclo

  • Crie barreiras nas conversas: Estabeleça limites explícitos e não alimente provocações que visem apenas reabrir debates desgastantes.

  • Faça um detox de informação: Desative notificações compulsivas de grupos de mensagens e portais de notícias; foque nas tarefas concretas do seu dia a dia.

  • Não negligencie os sintomas: Insônia persistente, alterações bruscas de apetite e dificuldade de concentração são sinais de alerta claros para buscar o acompanhamento de um profissional de saúde mental.

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