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Medicamentos para depressão e ansiedade crescem 12% — e a Geração Z chama a atenção.

Por Márcio Lima · Saúde e Espiritualidade

· 4 min de leitura ·

Levantamento com quase 35 mil beneficiários mostra aumento nas compras de medicamentos para saúde mental no primeiro semestre de 2026. Entre os mais jovens, crescimento foi ainda maior.

A saúde mental parece estar ocupando cada vez mais espaço na vida dos brasileiros — e os números das compras de medicamentos para depressão e ansiedade ajudam a mostrar esse movimento.

No primeiro semestre de 2026, a compra desses medicamentos cresceu 11,7% em relação ao mesmo período de 2025. E um grupo chamou especialmente a atenção: a Geração Z.

Os dados fazem parte de um levantamento realizado pela empresa de benefícios de bem-estar corporativo Vidalink, com 34.823 beneficiários que compraram pelo menos um medicamento relacionado à saúde mental entre janeiro de 2025 e junho de 2026.

Geração Z registra o maior avanço
Entre os diferentes grupos geracionais analisados, os jovens da Geração Z apresentaram o crescimento mais acelerado.

No primeiro semestre de 2026, o número de compradores da Geração Z aumentou 15% em comparação com o mesmo período de 2025.

O volume de compras cresceu ainda mais: 19%.

Já o valor total gasto com esses medicamentos avançou 21%.

O crescimento não significa, necessariamente, que a depressão e a ansiedade estejam aumentando na mesma proporção entre os jovens. Os dados mostram o comportamento de compra dos beneficiários analisados, e diferentes fatores podem estar por trás desse movimento.

Ainda assim, os números colocam uma questão importante em evidência: a saúde mental dos jovens está se tornando uma preocupação cada vez mais presente.

Não foram apenas os jovens
Embora a Geração Z tenha apresentado o maior crescimento, o aumento nas compras apareceu também entre outras gerações.

Entre os Millennials, o número de compradores aumentou 10,2%, enquanto a quantidade de compras cresceu 12,1% e o valor movimentado subiu 16,8%.

Na Geração X, houve crescimento de 7,1% no número de compradores, 10,5% nos pedidos e 14,3% no valor transacionado.

Já entre os Baby Boomers, com 60 anos ou mais, os avanços foram menores: 3,5% em compradores, 4,7% na quantidade de compras e 6,5% no valor movimentado.

Mais pessoas e mais dinheiro movimentado
Considerando as pessoas que mantiveram o benefício da Vidalink ativo durante os dois semestres analisados, o número de compradores cresceu 9,4%.

O valor movimentado pela plataforma também aumentou de forma significativa: passou de aproximadamente R$ 10 milhões para R$ 11,5 milhões, uma alta de 15,3%.

Para Luís Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink, os números reforçam a necessidade de discutir saúde mental de maneira contínua.

A preocupação, segundo ele, não deveria estar apenas no acesso ao tratamento, mas também em ações de prevenção e cuidado.

Mulheres continuam sendo maioria
Nos dois períodos analisados, as mulheres representaram 64,1% dos compradores de medicamentos relacionados à saúde mental. Os homens corresponderam a 35,9%.

Ou seja, apesar do crescimento observado entre as diferentes gerações, a distribuição por gênero permaneceu praticamente estável.

O que esses números dizem sobre a saúde mental?
Os dados não permitem afirmar que o aumento nas compras de medicamentos seja causado por um único fator.

Pressões profissionais, dificuldades financeiras, relacionamentos, isolamento social, mudanças no estilo de vida e maior procura por tratamento podem fazer parte de um cenário muito mais amplo.

Também é importante lembrar que medicamentos para depressão e ansiedade devem ser utilizados com acompanhamento de profissionais de saúde. A compra de um medicamento, isoladamente, não conta toda a história sobre a saúde mental de uma pessoa.

Mas existe uma mensagem importante por trás desses números:
Os dados não permitem afirmar que o aumento nas compras de medicamentos seja causado por um único fator.

Pressões profissionais, dificuldades financeiras, relacionamentos, isolamento social, mudanças no estilo de vida e maior procura por tratamento podem fazer parte de um cenário muito mais amplo.

Também é importante lembrar que medicamentos para depressão e ansiedade devem ser utilizados com acompanhamento de profissionais de saúde. A compra de um medicamento, isoladamente, não conta toda a história sobre a saúde mental de uma pessoa.

Mas existe uma mensagem importante por trás desses números:
falar sobre saúde mental deixou de ser uma conversa restrita aos consultórios. 

Ela está chegando às empresas, às famílias, às redes sociais e, principalmente, à rotina de uma geração que cresceu em meio a transformações profundas na forma de trabalhar, estudar, se relacionar e consumir informação.

Talvez a pergunta mais importante não seja apenas "por que estamos comprando mais medicamentos?", mas o que está acontecendo com a nossa saúde mental antes de chegarmos ao ponto de precisar deles?

Essa é uma conversa que envolve tratamento, mas também prevenção, hábitos, relações sociais, sono, alimentação, atividade física e diferentes dimensões do cuidado com o ser humano.

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