O almirante Garnier depôs nesta terça. Alexandre de Moraes questionou diretamente contradições e cobrou responsabilidade institucional.
Brasília (DF) – Nos dois primeiros dias de interrogatórios da ação penal que apura tentativa de golpe de Estado, o Supremo Tribunal Federal ouviu Mauro Cid, Alexandre Ramagem e Almir Garnier. Os depoimentos revelaram detalhes de reuniões no Palácio da Alvorada, minutas golpistas e movimentações financeiras suspeitas.
O tenente-coronel Mauro Cid confirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro leu e editou um texto que previa prisões de ministros do STF e do Congresso Nacional. “Ele leu, enxugou o texto, mas manteve o nome do ministro Alexandre de Moraes”, afirmou. Cid também revelou que recebeu dinheiro em espécie, entregue por Braga Netto, para ações ligadas ao suposto plano golpista.
O ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, negou envolvimento em qualquer monitoramento ilegal de ministros e disse que jamais participou de articulações antidemocráticas. Já o almirante Almir Garnier, ouvido nesta terça (10), declarou ter visto o conteúdo da minuta apresentada por Cid, mas negou ter recebido ou apoiado qualquer plano golpista.

Durante os depoimentos, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, interveio diretamente em vários momentos. Ele repreendeu contradições e alertou para a gravidade das ações descritas.
Moraes lembrou que a tentativa de golpe, embora não consumada, “colocou em risco a estabilidade democrática” do país e confrontou os réus com documentos e declarações já coletadas durante a fase de instrução.
O ministro do STF também disse que a organização teve papel preponderante aos atos do 8 de Janeiro, uma vez que “direcionou” os manifestantes. Segundo Moraes, a tentativa de golpe só não foi concretizada devido a a negativa dos comandantes do Exército e da Aeronáutica.
“As instituições democráticas foram vulneradas em pronunciamentos públicos e ataques virtuais, proporcionados pela utilização indevida da estrutura de inteligência do Estado”, declarou.
As oitivas continuam até sexta-feira (13), com expectativa de que Jair Bolsonaro preste depoimento na quarta-feira (12).

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