Fenômeno severo provoca ventania e fortes chuvas na Grande Ilha, explica meteorologista da UEMA

Especialista aponta possibilidade de tornado ou microexplosão atmosférica durante evento registrado em São Luís e São José de Ribamar

O forte evento climático registrado na última sexta-feira, na Grande Ilha de São Luís, chamou a atenção da população pelos ventos intensos, chuvas e transtornos causados em diferentes pontos da capital maranhense. Segundo análise do meteorologista Gunter de Azevedo Reschke, chefe do LABMET/NUGEO/UEMA, o fenômeno pode ter sido provocado por um tornado ou por uma microexplosão atmosférica — ambos considerados eventos meteorológicos severos.

De acordo com o especialista, as condições atmosféricas registradas durante o temporal indicam um cenário de instabilidade intensa associado às nuvens do tipo cumulonimbus, comuns em tempestades de grande porte.

Tornado ou microexplosão: entenda os fenôenos

Gunter Reschke explica que uma das hipóteses para o ocorrido é a formação de um tornado, caracterizado pela descida em forma de funil da base de uma nuvem cumulonimbus até tocar o solo. “O tornado ocorre devido a um grande gradiente de temperatura e pressão, forçando com que a base da nuvem desça em forma de funil. Ele só pode ser chamado de tornado quando essa coluna de ar toca o solo”, destacou o meteorologista.

Outra possibilidade levantada pelo pesquisador é a ocorrência de uma microexplosão, fenômeno meteorológico severo marcado pela descida brusca de ar frio de dentro da nuvem de tempestade. “Ao atingir o solo, esse ar se espalha violentamente em todas as direções, formando ventos destrutivos que podem facilmente ultrapassar os 100 quilômetros por hora”, explicou.

Segundo os dados apresentados pelo LABMET/NUGEO/UEMA, foram registrados acumulados de chuva de 15,4 milímetros no setor industrial de São Luís e 6,4 milímetros em São José de Ribamar, embora o meteorologista ressalte que outros pontos da ilha podem ter registrado volumes ainda maiores.

O especialista também lembra que o Maranhão segue dentro do período chuvoso, especialmente na região norte do estado. “Maio ainda é um mês bastante chuvoso aqui na capital e em toda a região norte do Maranhão, que facilmente pela média climatológica ultrapassa os 300 milímetros. Já estamos em torno de 270 milímetros e ainda temos alguns dias até o fim do mês”, afirmou.

A ocorrência reforça a necessidade de atenção da população para eventos extremos cada vez mais frequentes, especialmente em áreas urbanas vulneráveis a ventos fortes, alagamentos e descargas atmosféricas (raios).

Gunter de Azevedo – Meteorologista

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