Debates sobre arbitragem têm sido cada vez mais marcados por narrativas e menos por critérios técnicos.
Por Kemuel Sousa
É incrível como, nos últimos tempos, criou-se uma crença exagerada de que até lances claros e nítidos analisados pelo VAR estariam sendo marcados para beneficiar determinados times. Em muitos casos, o clubismo e a paixão excessiva de alguns torcedores, e até de parte da própria mídia, fazem surgir dúvidas sobre jogadas que antes seriam consideradas de interpretação óbvia.
Hoje, muito se fala que Palmeiras e Flamengo são constantemente beneficiados, mas será mesmo? O que se vê, em grande parte, é uma onda de vitimismo. Muitos dos que alimentam esse discurso são torcedores que comandam canais de clubes, mas também há pessoas da imprensa que deveriam analisar com mais responsabilidade e conhecimento.
Levantar suspeitas sobre lances claros de pênalti, apenas para sustentar narrativas de favorecimento a A ou B, é algo inacreditável. O debate sobre arbitragem precisa ser mais sério, técnico e menos movido pela paixão.
O problema começa quando até lances claros de pênalti, expulsão ou interferência passam a ser tratados automaticamente como favorecimento. Isso empobrece o debate, desinforma o torcedor e transforma qualquer decisão correta em motivo para teoria conspiratória.
Questionar a arbitragem é legítimo. O que não pode se tornar normal é trocar análise séria por narrativa pronta. O futebol precisa de discussões mais técnicas, honestas e menos movidas pela paixão clubista.






