Presidente participa da Semana Mundial da Alimentação e reforça protagonismo do Brasil na luta contra a fome e a pobreza
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a primeira-dama Janja da Silva se reuniram nesta segunda-feira (13) com o papa Leão XIV, no Vaticano. Foi o primeiro encontro entre Lula e o atual pontífice, sucessor do papa Francisco.
A visita ocorreu durante a participação de Lula na abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2025, em Roma, evento promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O presidente desembarcou na capital italiana no domingo (12) e também participa das comemorações pelos 80 anos de fundação da FAO.
A presença de Lula ganha destaque simbólico após a divulgação do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2025), que retirou novamente o Brasil do Mapa da Fome. “Falei ao Papa sobre minha participação hoje no encontro da FAO e como em dois anos e meio tiramos pela segunda vez o Brasil do Mapa da Fome. E, agora, estamos levando este debate para o mundo por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, afirmou Lula em uma rede social.
Ainda na sede da FAO, o presidente encerrará, também nesta segunda-feira, a Segunda Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Ele também vai inaugurar o espaço onde funcionará o Mecanismo de Apoio da Aliança, que atuará como secretariado da iniciativa.
Segundo o ministro Saulo Arantes Ceolin, coordenador-geral de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério das Relações Exteriores, a viagem reforça os laços históricos e estratégicos entre o Brasil e a FAO. “O objetivo principal da viagem é esse: prestigiar o Fórum e, sobretudo, comemorar o aniversário da organização, que é tão importante e com a qual o Brasil mantém uma relação robusta há décadas”, disse.
Convite à COP 30 e mensagem contra a desigualdade
Durante o encontro com o Papa Leão XIV, Lula destacou a importância do documento Dilexi Te, no qual o pontífice defende o vínculo inseparável entre fé e atenção aos mais pobres. “Parabenizei o Santo Padre pela Exortação Apostólica Dilexi Te e a sua mensagem de que não podemos separar a fé do amor pelos mais pobres. Disse a ele que precisamos criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade e considero o documento uma referência, que precisa ser lido e praticado por todos”, afirmou o presidente.
Lula também aproveitou a ocasião para convidar o Papa a participar da COP 30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA). “Convidei-o a vir à COP30, considerando a importância histórica de realizarmos uma Conferência do Clima pela primeira vez no coração da Amazônia. Por conta do Jubileu, o Papa nos disse que não poderá participar, mas garantiu representação do Vaticano em Belém”, completou.
O pontífice, segundo Lula, demonstrou intenção de visitar o Brasil em outro momento oportuno. “Será muito bem recebido, com o carinho, o acolhimento e a fé do povo brasileiro. Lembrei que ontem tivemos uma demonstração imensa dessa fé no Círio de Nazaré e nas comemorações do Dia de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil”.
Agenda e comitiva brasileira
A reunião entre Lula e o Papa foi articulada nos últimos dias pelo governo brasileiro, com envolvimento do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que manteve contato com o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano. A embaixada do Brasil junto à Santa Sé também participou das tratativas.
Além de Lula e Janja, integraram a comitiva brasileira os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), a senadora Ana Paula Lobato, a presidenta da Embrapa, Silvia Massruhá, e o embaixador do Brasil junto ao Vaticano, Everton Vieira.
A última visita de Lula a Roma havia ocorrido em abril de 2025, quando participou do funeral do papa Francisco, falecido aos 88 anos, em decorrência de um AVC e insuficiência cardíaca. Em seus mandatos anteriores, Lula já havia se encontrado com os papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco.







