
Quando o amor vira sentença: a violência contra as mulheres no Brasil
Por Nossa Terra
· 2 min de leitura ·
Quatro vidas perdidas por dia: essa é a média de feminicídios em 2024.
Os números não mentem, mas parecem ecoar no vazio. O Brasil registrou, em 2024, o maior número de feminicídios desde que esse crime passou a ser oficialmente monitorado: foram 1.459 mulheres assassinadas, uma média de quatro por dia.
Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Um mapa que também indica que outras milhares sofreram estupros, agressões, perseguições — muitas sem voz, sem apoio, sem justiça. Por trás desses números, há histórias interrompidas por uma violência que tem gênero, cor, classe e muitas vezes endereço conhecido.
Enquanto o Estado avança em políticas públicas e leis de enfrentamento à violência de gênero, cresce, no sentido oposto, uma cultura de misoginia que se espalha por grupos digitais, discursos extremistas e espaços públicos.
São homens, cada vez mais jovens, que se organizam em torno do ódio, que disseminam ideias sobre a supremacia masculina e transformam a violência contra mulheres e pessoas LGBTQIA+ em “projeto político”.
A cada campanha lançada, há também uma ofensiva moralista sendo construída, que tenta redefinir os papéis das mulheres como submissas, culpadas, perigosas quando independentes. E quando essa misoginia se cruza com o racismo e a desigualdade social, a brutalidade aumenta. Mulheres negras e pobres seguem como alvos principais de uma violência que não é acidental, mas profundamente estrutural.
Sinais
É preciso prestar atenção nos sinais — os primeiros, quase sempre sutis: controle disfarçado de ciúme, isolamento, chantagens emocionais, xingamentos. Depois, vêm as ameaças, a violência física, a anulação completa da identidade da mulher. O feminicídio, em muitos casos, não é surpresa. É desfecho de uma história longa, marcada por omissão e medo.
Maranhão
No Maranhão, estado com o segundo maior percentual de crescimento de feminicídios em relação a 2023 (38%) – o Piauí (42, 86%) – ações como a Casa da Mulher Brasileira, em São Luís, têm se tornado abrigo e esperança para quem busca romper o ciclo da violência.
A unidade reúne serviços essenciais em um só espaço: delegacia especializada, juizado, defensoria, apoio psicológico, alojamento seguro para atender mulheres em situação de vulnerabilidade. Mas para que a rede funcione, é preciso romper o silêncio. Por isso, não espere o último golpe. Peça ajuda.
Denuncie. Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher (funciona 24h e também por WhatsApp). Ligue 190 em casos de emergência. Busque uma Delegacia da Mulher ou unidade da Casa da Mulher Brasileira. Acesse apoio jurídico, psicológico e abrigos por meio da rede pública
Denunciar é um ato de coragem. Mas também é um gesto de proteção — para você, para suas filhas, para todas nós.
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