Mauro Cid depõe no STF e confirma reuniões com Bolsonaro para discutir estado de sítio e prisão de Moraes

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta segunda-feira (9), os interrogatórios dos réus do núcleo 1 da trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro. Os depoimentos estão sendo colhidos pela Primeira Turma do STF, com sessões previstas até sexta-feira (13), e reúnem nomes do chamado “núcleo político-militar” investigado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Até o dia 13 de junho, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal, vai interrogar presencialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro, o general Braga Netto e mais seis réus acusados de participarem do “núcleo crucial” de uma trama para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o resultado das eleições de 2022.

O tenente-coronel do Exército Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator nas investigações, é primeiro a depor. Durante o depoimento ele afirmou que “presenciou grande parte dos fatos, mas não participou deles”.

Mauro Cid também confirmou que existia um documento que sugeria a prisão de integrantes do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. Segundo ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve acesso ao conteúdo e chegou a fazer ajustes no texto, “enxugando” trechos do material.

Sim [Bolsonaro] recebeu e leu. Ele enxugou o documento. Basicamente, retirando as autoridades das prisões, somente o senhor [Moraes] ficaria como preso. O resto, não”, detalhou Mauro Cid

Cid relatou ainda que o documento incluía a criação de uma comissão eleitoral. “Não me aprofundei muito nos detalhes, mas a ideia era organizar um novo pleito, considerando que o resultado da eleição anterior seria anulado”, afirmou.”

“Foram duas, no máximo três reuniões em que esse documento foi apresentado ao presidente. O documento consistia em três partes. A primeira parte eram os ‘considerandos’ — cerca de 10 páginas, muito robustas. Essa parte listava possíveis interferências do STF e do TSE no governo Bolsonaro e nas próprias eleições. Na segunda parte, o texto entrava em uma abordagem jurídica: falava sobre Estado de defesa, Estado de sítio, prisão de autoridades e decretação de um conselho eleitoral para refazer as eleições”, afirmou o Mauro Cid.

Os interrogatórios ocorrem de forma presencial e são transmitidos ao vivo, mas com restrição a gravações, respeitando as regras do tribunal. A expectativa é que o ex-presidente Jair Bolsonaro preste depoimento ainda esta semana. Segundo o cronograma oficial, ele será ouvido na quarta-feira (12).

Foto: © Ton Molina/STF

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