Maranhão apresenta na COP30 ações para conter emergências climáticas

Programa Floresta Viva e novos parques ecológicos se destacam entre as iniciativas que unem conservação ambiental, geração de renda e financiamento verde

O planeta vive um cenário de urgência climática. O engenheiro florestal e ambientalista José Carlos Aroucha alerta que “as ações humanas realizadas de maneira insustentável são as principais causas do colapso ambiental, do aquecimento global e das mudanças climáticas”. Segundo ele, o risco futuro já é uma realidade. “Estamos tão próximos desse cenário de extinção que é difícil não chamarmos essa era de Antropoceno ou Colapso Ambiental”, enfatiza.

Em contraponto a esse panorama, o Maranhão apresentou, na COP30, em Belém, um conjunto de ações voltadas à sustentabilidade, com destaque para o Programa Floresta Viva Maranhão, considerado o maior viveiro público do Brasil.

Recuperação ambiental e geração de renda

Lançado em São Bento (MA), o Floresta Viva tem capacidade para produzir 1 milhão de mudas de plantas, beneficiando diretamente 100 famílias e promovendo oportunidades econômicas sustentáveis. O programa já resultou na doação de sementes e mudas a diversos municípios, como Anapurus, Paço do Lumiar, Pastos Bons, Gonçalves Dias, Arari, Barra do Corda e Santa Luzia.

Durante o painel na COP30, o governador Carlos Brandão destacou o projeto como uma política pública essencial para o equilíbrio ambiental.  “Estamos apresentando projetos reconhecidos nacional e internacionalmente, garantindo regularização fundiária, combate às queimadas e recuperação de áreas degradadas. O Floresta Viva é um projeto estruturante que alia desenvolvimento e sustentabilidade”, ressaltou Brandão.

A primeira venda do viveiro, com 48 mil mudas, gerou R$ 200 mil em receita, e novos viveiros estão em implantação, como o de Anajatuba, com previsão de 130 mil mudas por ciclo, e o de Rosário, que beneficiará uma comunidade quilombola.

Parques ecológicos e novos investimentos verdes

O secretário de Meio Ambiente, Pedro Chagas, reforçou que o Maranhão vem atuando de forma prática na agenda ambiental. “Apresentamos ações que mostram que o estado capta recursos externos e do governo federal, mas também faz investimentos próprios”, afirmou Chagas.

Durante a conferência, foram anunciados três novos parques estaduais — São Mateus, Pastos Bons e Colinas — além do Complexo de Atins, ampliando as áreas de conservação no território maranhense.

O governo também avançou em parcerias estratégicas com o Banco do Brasil e o grupo suíço Mercuria Energy, que investirá US$ 100 milhões em projetos de recuperação de áreas degradadas, regularização fundiária e créditos de carbono.

Segundo José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Governo e Sustentabilidade do BB, o diálogo aberto na COP possibilita expandir o financiamento a iniciativas sustentáveis. “As linhas de crédito para ônibus elétricos e projetos de conservação estão alinhadas com a proposta da conferência e contribuem para reduzir as emissões e o desmatamento”, frisou Sasseron.

Caminhos para um futuro sustentável

O ambientalista José Carlos Aroucha alerta que as queimadas e o desmatamento dos biomas têm contribuído significativamente para o colapso ambiental e o aquecimento global do planeta Terra

O ambientalista José Carlos Aroucha ressalta que o planeta está em processo de colapso ambiental devido ao aumento das temperaturas oceânicas e atmosféricas causado pelos gases do efeito estufa. Ele lembra que o metano (CH₄), presente em grandes quantidades no fundo dos oceanos, pode agravar drasticamente o aquecimento global se liberado em larga escala. “Caso a temperatura dos oceanos suba 3 ou 4 °C, a temperatura do planeta pode aumentar até 10 °C. Mesmo com um aumento de 4 °C, causaremos uma extinção em massa”, alertou.

Frente a esse cenário, as ações apresentadas pelo Maranhão na COP30 reforçam a necessidade de agir agora, investindo em florestas, bioeconomia, energia limpa e crédito sustentável.

O Floresta Viva, os novos parques ecológicos e os acordos de financiamento verde são exemplos de que políticas públicas integradas podem fazer frente às emergências climáticas — e transformar o Maranhão em referência de desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal.

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