Documento foi publicado no dia 20 em resposta ao avanço de discursos autoritários; nesta segunda-feira (21), presidentes participam da Reunião de Alto Nível “Democracia Sempre”, em Santiago
Em meio às tensões diplomáticas com os Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, ao lado de outros chefes de Estado da América Latina e da Espanha, o manifesto intitulado “Democracia Sempre”, publicado neste domingo (20). O documento denuncia o avanço de discursos autoritários, a desinformação nas redes sociais e defende a valorização da democracia como caminho para justiça social e desenvolvimento.
O manifesto é assinado por cinco líderes: Lula (Brasil), Pedro Sánchez (Espanha), Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia) e Yamandú Orsi (Uruguai). A publicação do texto ocorreu na véspera da Reunião de Alto Nível “Democracia Sempre”, que acontece nesta segunda-feira (21), em Santiago do Chile, com a presença dos signatários.
Manifesto como resposta internacional
Apesar de não citar nomes diretamente, o manifesto é interpretado como uma reação à crescente retórica autoritária em diversos países — incluindo o apoio explícito do ex-presidente Donald Trump a Jair Bolsonaro e as recentes medidas unilaterais impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil.
Os líderes afirmam no texto que “não cabe o imobilismo nem o medo” diante da ameaça à democracia e destacam que a resposta deve vir com “esperança, justiça social, direitos e liberdade”. O texto também defende uma regulação mais eficaz das plataformas digitais, apontadas como agentes facilitadores de desinformação, violência política e extremismo.
Evento internacional reforça articulação progressista
A Reunião de Alto Nível “Democracia Sempre”, realizada nesta segunda-feira (21), reúne os mesmos chefes de Estado para debater caminhos de cooperação regional em defesa das instituições democráticas. O encontro visa reforçar alianças políticas, discutir estratégias comuns de enfrentamento ao autoritarismo digital e fortalecer o papel das lideranças progressistas no cenário internacional.
O evento marca um movimento articulado desses governos para se contrapor à influência de discursos extremistas, em um momento em que o Brasil enfrenta tarifas comerciais elevadas por parte dos EUA e pressões externas relacionadas à situação judicial de Bolsonaro.
