
Justiça italiana encerra audiência de Zambelli e deve decidir sobre extradição até quinta-feira
Deputada licenciada tenta responder ao processo em liberdade na Itália; laudo médico aponta que estado de saúde permite permanência na prisão
Por Nossa Terra
· 2 min de leitura ·
A Justiça da Itália concluiu, na manhã desta quarta-feira (27), a audiência da deputada federal licenciada Carla Zambelli, que está presa desde 29 de julho na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma. A Corte italiana deve anunciar sua decisão até esta quinta-feira (28), definindo se a brasileira responderá ao processo de extradição sob custódia ou em liberdade, em um apartamento, sob medidas cautelares.
Zambelli pleiteia o direito de responder ao processo fora do presídio, alegando, por meio de seus advogados, que sofre de problemas de saúde e é vítima de perseguição política no Brasil. No entanto, o governo brasileiro apresentou um laudo médico oficial que afirma que a parlamentar tem condições de permanecer presa, recebendo tratamento adequado, e que poderia viajar de avião caso a extradição ao Brasil seja autorizada para que cumpra as condenações impostas pela Suprema Corte.
A audiência foi conduzida por um juiz italiano e contou com a presença da defesa da deputada e de um representante do governo brasileiro, responsável pelo pedido de extradição. Atualmente, o processo está sob análise do Ministério do Interior da Itália, equivalente ao Ministério da Justiça no Brasil.
Um laudo médico solicitado pela Justiça italiana considerado decisivo por diplomatas brasileiros foi elaborado pela médica Edy Febi, especialista em medicina legal e ciências forenses. O documento, com 19 páginas, avalia o estado físico e mental de Zambelli e conclui que ela pode continuar seu tratamento médico dentro do sistema prisional de Rebibbia.
A médica reconhece que a parlamentar apresenta quadro de transtorno depressivo e é diagnosticada com a Síndrome de Ehlers-Danlos, uma condição rara que afeta músculos e articulações, mas ressalta que não há indicação de comportamento autodestrutivo ou risco de vida no momento. “Com o regime prisional, incluindo a possibilidade de receber as terapias de que necessita dentro do estabelecimento prisional, não surgem elementos que excluam a possibilidade de a pessoa ser mantida detida”, afirma o laudo.
Sobre a greve de fome realizada por Zambelli, o documento destaca que a ação não compromete seu tratamento. “A greve de fome não parece constituir obstáculo ao regime prisional, tendo em vista o comportamento consciente do paciente, a administração adequada da medicação e a hidratação adequada.”
A médica também afirma que não há complicações no estado de saúde da deputada que a impeçam de ser transportada em avião, caso a extradição ao Brasil seja determinada, embora recomenda precauções médicas durante a viagem.
Em maio de 2025, Zambelli foi condenada a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao lado do hacker Walter Delgatti. Durante sua prisão, a deputada teve acesso a medicamentos autorizados pelas autoridades italianas.
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