Jorge Messias é o 6º nome barrado pelo Senado na história

Indicado de Lula foi aprovado na CCJ, mas derrotado no plenário; rejeições ao Supremo são raras e não ocorriam desde 1894


O Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, ao Supremo Tribunal Federal, tornando-o o sexto nome barrado pelos senadores em toda a história da República. Até então, todas as rejeições haviam ocorrido em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.

Durante a sabatina, Messias fez uma série de acenos à oposição na tentativa de conquistar apoio. Declarou-se contrário ao aborto, fez referências à fé e à sua religião evangélica e defendeu maior autocontenção do STF, com respeito aos limites entre os Poderes. Ele também buscou aproximação com parlamentares conservadores, incluindo elogios ao senador Flávio Bolsonaro, além de intensificar articulações políticas nos bastidores.

Apesar dos esforços, o clima entre aliados do governo era de incerteza. O silêncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que preferia outro nome para a vaga, foi interpretado como sinal de resistência. A mobilização do Planalto, que enviou uma equipe para acompanhar de perto a sabatina, não foi suficiente para garantir os votos necessários.

Antes da votação em plenário, Messias chegou a ser aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, após mais de oito horas de sabatina, por 16 votos a 11. No entanto, o resultado não se repetiu no plenário, onde os 81 senadores rejeitaram a indicação.

Com a decisão, abre-se um cenário de desgaste político entre o governo federal e o Senado, em um episódio considerado raro e de grande impacto institucional.

Veja os indicados ao STF já rejeitados pelo Senado:

  • Jorge Messias — indicado por Luiz Inácio Lula da Silva (2026)
  • Cândido Barata Ribeiro — indicado por Floriano Peixoto (1894)
  • Ewerton Quadros — indicado por Floriano Peixoto (1894)
  • Demóstenes Lobo — indicado por Floriano Peixoto (1894)
  • Galvão de Queiroz — indicado por Floriano Peixoto (1894)
  • Antônio Seve Navarro — indicado por Floriano Peixoto (1894)

A rejeição de indicações ao STF é considerada excepcional e tende a gerar desgastes significativos entre os Poderes.

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