Pesquisa indica que gratuidade poderia movimentar até R$ 60,3 bilhões por ano e reduzir desigualdades ao funcionar como renda indireta
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que a implementação da tarifa zero no transporte público pode ter efeitos semelhantes aos do Bolsa Família, atuando como uma política de redistribuição de renda no Brasil.
De acordo com a pesquisa, a adoção da gratuidade nas 27 capitais brasileiras poderia gerar uma movimentação de aproximadamente R$ 60,3 bilhões por ano na economia. Desse total, R$ 14,7 bilhões já correspondem a gratuidades existentes, enquanto a injeção real de novos recursos seria de cerca de R$ 45,6 bilhões.
Os pesquisadores destacam que, ao eliminar o custo das passagens, os valores que hoje são destinados ao transporte tenderiam a ser redirecionados para outras despesas essenciais, como alimentação e consumo básico, beneficiando principalmente a população de menor renda.
Nesse contexto, a tarifa zero funcionaria como uma espécie de “salário indireto”, contribuindo para a redução de desigualdades sociais, raciais e territoriais, além de ampliar o acesso a oportunidades de trabalho, educação e serviços.
O tema integra um debate mais amplo sobre o modelo de mobilidade urbana no país e vem sendo analisado pelo governo federal, que estuda a viabilidade econômica da medida e possíveis formas de financiamento.







