Consumo das famílias recua em São Luís após sete meses de alta
Por Nossa Terra
· 3 min de leitura ·
Juros altos, inflação e acesso difícil ao crédito explicam o freio no consumo, segundo pesquisa da Fecomércio-MA
O consumo das famílias em São Luís sofreu uma leve retração em maio de 2025, após sete meses consecutivos de crescimento. É o que aponta a nova edição da pesquisa Intenção de Consumo das Famílias (ICF), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio-MA), em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O índice caiu 0,5%, passando de 90,9 pontos em abril para 90,4 pontos em maio. Mesmo com um avanço expressivo em relação ao mesmo período do ano passado — quando a pontuação era de 82,9 — o índice ainda segue abaixo da linha de satisfação (100 pontos), o que indica cautela por parte dos consumidores.
Essa cautela é ainda mais acentuada entre as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, que registraram um ICF médio de 88,6 pontos — inferior à média geral. “Mesmo com o impacto positivo do Dia das Mães, houve uma desaceleração nas compras, especialmente entre os consumidores de menor renda, que já haviam antecipado seus gastos na Semana Santa. O otimismo com emprego e renda existe, mas a preocupação com despesas maiores ainda fala mais alto”, explica o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó.
Queda nos bens duráveis e no consumo atual
O principal fator de queda foi o subcomponente “momento para aquisição de bens duráveis”, que despencou 9,8% e atingiu apenas 28,1 pontos — o menor nível entre todos os itens analisados. Também houve recuo de 4% no “nível de consumo atual”, que ficou em 49,8 pontos, indicando redução nas compras em comparação ao mês anterior.
Renda e otimismo com o emprego puxam o lado positivo
Apesar do cenário de retração, a pesquisa também identificou avanços. O item “renda atual” subiu 4,6% e alcançou 117,1 pontos, sinalizando melhora na percepção sobre o orçamento familiar. Essa alta tem relação direta com o aumento da informalidade no mercado de trabalho maranhense.
Outro dado positivo foi o indicador de “perspectiva profissional”, que manteve patamar elevado, com 145,8 pontos — impulsionado especialmente pela geração de empregos formais. Em março de 2025, São Luís criou 693 novos postos de trabalho com carteira assinada, quase o triplo do número registrado em fevereiro (243 vagas).
Crédito ainda é obstáculo
Por outro lado, o acesso ao crédito voltou a ser um entrave. O subcomponente “acesso ao crédito” teve queda de 2,6%, atingindo 93,1 pontos. O motivo é claro: a taxa básica de juros (Selic) permanece alta, atualmente em 14,75% ao ano, dificultando financiamentos e compras a prazo.
Cautela segue sendo a palavra de ordem
Embora o item “perspectiva de consumo” tenha registrado um leve aumento de 0,4%, ele ainda está abaixo do nível de satisfação, o que revela que o otimismo é moderado. Inflação elevada, juros altos e o endividamento das famílias seguem como barreiras para a retomada plena do consumo.
Resumo do cenário
🔻 ICF: 90,4 pontos (queda de 0,5%)
🛒 Bens duráveis: maior retração entre os indicadores (-9,8%)
💰 Renda atual: crescimento de 4,6%, puxado pela informalidade
📈 Empregos formais: 693 novas vagas em março (São Luís)
🏦 Taxa Selic: mantida em 14,75% ao ano
💳 Acesso ao crédito: queda de 2,6%, refletindo maior dificuldade para financiamentos.
O resultado de maio mostra que, mesmo com sinais de recuperação no mercado de trabalho, o consumo das famílias ainda enfrenta limitações estruturais. O equilíbrio entre otimismo com a renda e prudência nas compras define o momento atual da economia ludovicense.
Fonte: Ascom/ Fecomércio-MA
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