Análise de Gunter Reschke reforça previsão do cientista Carlos Nobre sobre os perigos do aquecimento global acima de 2 °C e alerta para consequências irreversíveis na Amazônia e na vida humana
O alerta global sobre o risco de colapso climático ganhou novas camadas de urgência. Após a recente entrevista do renomado cientista Carlos Nobre, o meteorologista Gunter de Azevedo Reschke, chefe do Laboratório de Meteorologia (LABMET/NUGEO) da UEMA, reforça que o cenário previsto para um planeta 2 °C mais quente já ameaça diretamente o equilíbrio climático da Amazônia e, com ele, a sobrevivência de milhões de pessoas.
Reschke destacou que “ultrapassar o limiar de 2 °C de aquecimento global implica na redução progressiva das chuvas e aumento das secas hidrometeorológicas, o que eleva o risco de mudança irreversível na estrutura ecológica e climática da Amazônia”.
Segundo o pesquisador, as transformações já em curso exigem ação imediata e integrada da sociedade em todas as esferas — governos, empresas e cidadãos — para reduzir emissões, conter o desmatamento e fortalecer políticas de adaptação climática.
Amazônia no limite: floresta pode virar savana tropical
Em entrevista ao programa Roda Viva, Carlos Nobre alertou que o aquecimento global acima de 2 °C pode causar a liberação de 200 bilhões de toneladas de gases do efeito estufa até 2100, provocando o colapso da Amazônia e a transformação do bioma em uma paisagem semelhante à savana.
“Todos os eventos extremos explodiram de impacto quando a temperatura atingiu 1,5 °C”, afirmou Nobre, lembrando que as metas atuais do Acordo de Paris podem não ser suficientes para conter o agravamento da crise climática.
De acordo com o cientista, sem a redução drástica das emissões, a Terra pode ultrapassar o limite seguro até 2050, com a perda de até 70% da floresta amazônica até o final do século.

Queimadas intensas e desmatamentos, na Amazônia brasileira, ilustram a aceleração do colapso florestal; segundo estudos, a floresta já emite mais carbono do que absorve em algumas regiões
Impactos além da floresta: crise hídrica e insegurança alimentar
Para o meteorologista Gunter Reschke, o colapso amazônico não é apenas uma questão ecológica, mas uma ameaça direta à vida humana e à economia latino-americana.
“A diminuição da umidade e a perda de cobertura florestal comprometem a regulação climática e hídrica de toda a América do Sul”, explicou.
O pesquisador alerta que a redução da reciclagem de chuvas e a maior duração das secas podem resultar em crises hídricas nas cidades, queda da produtividade agrícola e ondas de calor mais frequentes. Tais condições afetam especialmente populações vulneráveis, agravando doenças respiratórias e cardiovasculares.
Um chamado à responsabilidade coletiva
Os efeitos das mudanças climáticas, antes previstos para o futuro, já se manifestam em forma de eventos extremos, secas prolongadas e aumento das temperaturas médias. Para Reschke, a ciência já deixou claro o caminho a seguir: agir agora.
“O alerta do Dr. Carlos Nobre é cientificamente fundamentado e meteorologicamente coerente, devendo ser interpretado como um chamado urgente à ação, voltado à mitigação das emissões, à conservação florestal e ao fortalecimento de políticas públicas de adaptação climática”, conclui o meteorologista da UEMA.
A mensagem é direta: sem mudança de comportamento, planejamento e cooperação global, o colapso climático deixará de ser uma previsão para se tornar uma realidade irreversível.







