Segundo Gunter Reschke, condições termodinâmicas favoreceram a formação do gelo durante a transição entre a seca e o período chuvoso; Inmet confirma padrão típico dessa época do ano
Moradores de Riachão, no Sul do Maranhão, foram surpreendidos na tarde de sábado (11) por uma intensa chuva de granizo acompanhada de ventos fortes. O fenômeno durou cerca de dez minutos e deixou ruas e quintais cobertos de pequenas pedras de gelo — uma cena incomum na região e amplamente registrada em vídeos e fotos pelos moradores.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esse tipo de evento é relativamente comum no bioma Cerrado, especialmente durante o período de transição entre a seca e as primeiras chuvas. Nessa época, o calor acumulado na superfície e o aumento da umidade no ar geram uma forte instabilidade atmosférica, propícia à formação de tempestades e granizo.
Condições atmosféricas explicam o fenômeno
Segundo o meteorologista Gunter Reschke, coordenador do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), o episódio de Riachão foi “um evento de tempo adverso caracterizado por ocorrência de queda de granizo e ventos fortes”, que “causou espanto na cidade durante 10 minutos, justamente pela quantidade de pedras de gelo que precipitaram do céu”.
Ele explica que, nesse período de mudança de estação, “o ar seco e quente é lentamente substituído por parcelas de ar mais úmidas; esse contraste torna a atmosfera instável e favorável para formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, as chamadas Cumulonimbus”.
Foi exatamente essa configuração atmosférica mais ampla que, segundo o especialista, antecedeu a ocorrência da chuva de granizo e ventos intensos em Riachão.
Como o granizo se forma
O Inmet define o granizo como a precipitação de “bolas ou pedaços irregulares de gelo, formados dentro de nuvens convectivas como as Cumulonimbus”. Esse processo acontece quando correntes de ar quente sobem com força e encontram temperaturas muito baixas em grandes altitudes, solidificando as gotículas de água.
Reschke detalha o processo: “O granizo, que nada mais é do que pequenas bolas de gelo, é formado na ocasião em que as correntes de ar ascendentes se tornam fortes o bastante para transportar as gotículas de água para altitudes elevadas com temperaturas inferiores a 0°C e com isso transformá-las em gelo com forma arredondada, devido ao vai e vem das correntes de ar dentro da nuvem; assim quando o granizo se torna suficientemente pesado, não podendo mais ser sustentado pelas correntes de ar ascendentes, cai em direção ao solo.”
Ele acrescenta que, na tarde do dia 11, “a condição de instabilidade atmosférica estava predominando no setor sul do estado, e deu condições termodinâmicas favoráveis para a formação do granizo”, o que foi confirmado por imagens de satélite analisadas pela equipe da UEMA.
Previsão e alerta
Ainda conforme o Inmet, a instabilidade deve permanecer nos próximos dias, com pancadas de chuva isoladas e alta variação térmica em cidades do Sul do Maranhão. As chuvas mais intensas, porém, são esperadas entre novembro e dezembro.
O órgão alerta para possíveis danos a veículos, telhados e plantações, especialmente em áreas de solo exposto e vulnerável.
Para Reschke, o fenômeno serve de alerta: “Esses episódios marcam o início de um período em que o clima do Cerrado maranhense se mostra mais extremo, exigindo maior atenção da população e do poder público para prevenção de impactos.”







