Especialistas apontam que tragédia marcada por deslizamentos e enchentes reflete negligência diante das mudanças climáticas
Os temporais que castigaram a Zona da Mata mineira, especialmente em Juiz de Fora e Ubá, deixaram um rastro de destruição com dezenas de mortos, milhares de pessoas desabrigadas e inúmeros prejuízos materiais e, para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a tragédia não é apenas um evento isolado, mas um exemplo concreto da falta de preparo do país para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
Segundo o geógrafo Miguel Felippe, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), as fortes chuvas, que superaram em muito a média histórica para fevereiro e provocaram enxurradas, deslizamentos de terra e rios transbordando, estão diretamente ligadas às condições climáticas extremas que se intensificam com o aquecimento global.


Os especialistas destacam que a resposta efetiva a eventos dessa magnitude exige políticas públicas ambientais robustas e um planejamento urbano que leve em conta os riscos naturais, aspectos que, segundo eles, foram negligenciados nos últimos anos tanto no Brasil quanto em diversos países.
Além disso, a topografia da região, com áreas urbanizadas em encostas e várzeas, amplificou os efeitos das chuvas intensas, evidenciando a necessidade de medidas de prevenção e adaptação para tornar as cidades mais resilientes diante de extremos climáticos que tendem a se tornar mais frequentes com o avanço do aquecimento global.






