
Projeto Agojies Quilombolas fortalece protagonismo feminino e patrimônios imateriais no Maranhão
Por Maria Regina Telles · Sustentabilidade Social e Ambiental
· 4 min de leitura ·
Iniciativa apoiada pela Vale, por meio da Lei Rouanet, promove oficinas, roda de conversa e apresentações culturais neste sábado (7), na Praia Grande
O Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã lança o Projeto Agojies Quilombolas – Nos Batuques Imateriais neste sábado, 7 de março, em São Luís, com patrocínio da Vale, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, e realização do Ministério da Cultura. A programação, com apresentações culturais e de oficinas gratuitas, acontece a partir das 8h30, na sede dos Mandingueiros do Amanhã, na Rua da Estrela, nº 163, Praia Grande.
Programação reúne oficinas, roda de conversa e apresentações
A programação começa às 8h30 com a oficina de Capoeira Angola, ministrada pela contramestra Érida Ferreira, do Instituto Aluandê (RJ). Historiadora formada pela UERJ, produtora cultural e liderança comunitária — atualmente em seu segundo mandato como presidente fundadora da Associação da Comunidade do Quilombo Urbano Ferreira Diniz — Érida também é mãe de duas filhas e Makota de Nkosi. A oficina oferece 100 vagas e é aberta ao público.
Ainda na manhã do sábado, às 11h, o Mestre Bamba, ministrará uma oficina de percussão. Bamba recebeu o reconhecimento Mestre da Cultura Popular pelo Ministério da Cultura e é um dos fundadores do Centro Cultural Mandingueiros do Amanhã.
À tarde, das 15h às 17h, será realizada roda de conversa com o tema “Equidade de Gênero na Capoeira”, com participação da Mestra Valdira, professora da Uema, Dra. em Políticas Públicas; Contramestra Érida (RJ); da Coordenadora da Instituição Olga Barros e das jovens oriundas dos quilombolos do interior maranhense, entre elas as Treinelas (discipulado na Capoeira Angola), Josielma Rodrigues, do Quilombo Santa Joana, e Nádia dos Santos, do Quilombo Santa Luzia.
A partir das 18h30, o público acompanha a apresentação da Banda Agojies Quilombolas, formada integralmente por mulheres, seguida de Tambor de Crioula dos Mandingueiros do Amanhã, reforçando a conexão entre ancestralidade, resistência e protagonismo feminino.
Como surgiu a ideia do projeto

Roda de Capoeira no Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã
iniciativa nasce de uma trajetória construída há mais de 30 anos pelo Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã, associação fundada em 1996, com forte atuação na difusão da Capoeira Angola e de manifestações como Tambor de Crioula e Bumba Meu Boi em São Luís e em comunidades quilombolas de Itapecuru-Mirim e Santa Rita. A coordenadora geral do projeto, Olga Maria Barros Lopes, explica que a proposta surge da observação de uma desigualdade histórica dentro das próprias práticas culturais.
Segundo Olga Barros, ao longo dos anos foi possível perceber que muitas meninas se afastavam da cultura ao chegar à vida adulta, seja por questões estruturais, seja pela divisão desigual de funções dentro das rodas de capoeira. A organizadora destaca que o projeto foi pensado justamente para enfrentar essa desigualdade de gênero e garantir que as jovens quilombolas se reconheçam como protagonistas e fazedoras de cultura.

A contramestra Érida Ferreira, do Instituto Aluandê (RJ), presidente fundadora da Associação da Comunidade do Quilombo Urbano Ferreira Diniz, inicia a programação, do sábado (07), às 8h30, com a oficina de Capoeira Angola,
Protagonismo feminino e herança ancestral
O nome “Agojies” faz referência às guerreiras do antigo Reino do Daomé, símbolo de força e resistência. A proposta também dialoga com a história da Rainha Ná Agontimé, figura ligada à formação de manifestações afro-brasileiras no Maranhão, como o Tambor de Mina. A ideia é criar um espelhamento entre essas referências históricas e as jovens atendidas pelo projeto.
De acordo com Olga Barros, o foco central é a produção e circulação do espetáculo musical Agojies Quilombolas, protagonizado por jovens mulheres quilombolas, aliado à realização de oficinas formativas em capoeira, tambor de crioula, samba e bumba meu boi, além da confecção artesanal de instrumentos como berimbaus e reco-recos.
O projeto pretende beneficiar diretamente 25 jovens mulheres quilombolas, de 14 a 25 anos, das comunidades de Santa Joana, Santa Luzia, Vila Fé em Deus e Cantagalo, além de alcançar, de forma indireta, estudantes, professores e comunidades em geral no Maranhão e no Rio de Janeiro.
Para Geisa Cristina Santana Muniz, 25 anos, do Quilombo Vila Fé em Deus (Santa Rita/MA), integrante da Banda Agojies Quilombolas, o projeto representa transformação. “A importância do Projeto Agojies Quilombolas para os jovens nos ajuda muito. Ele fortalece a nossa identidade, valoriza a nossa história e cultura e mostra que temos voz, espaço e força na sociedade”, afirma Geisa Cristina. Ela reforça: “A gente sabe que tem vez, tem voz e pode estar onde quiser estar, sendo segura de nós mesmas”.
Já Nádia dos Santos, 25 anos, cantora e percussionista do Quilombo Santa Luzia, destaca o impacto na identidade das participantes. “A importância do Projeto Agojies para jovens quilombolas é que ele ajudou na questão da gente se identificar mais ainda como negras pretas quilombolas que lutam pelos seus objetivos com força e resistência. A gente não está representando só a gente, mas todas as negras quilombolas”, declara Nádia dos Santos.
Serviço
O quê: Lançamento do Projeto Agojies Quilombolas – Nos Batuques Imateriais
Quando: 7 de março de 2026 (sábado)
Oficina de Capoeira Angola
Horário: 8h30 às 12h
Tambor de Crioula dos Mandingueiros do Amanhã
Horário: 19:30
Onde: Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã – Rua da Estrela, 163, Praia Grande, São Luís (MA)
Entrada: Gratuita, sem necessidade de inscrição prévia, porém a ordem de chegada será importante para a garantia de vaga.
Capacidade do espaço: 150 pessoas
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