Doenças cardiovasculares seguem como principal causa de morte no Brasil; acreditação hospitalar é destaque na identificação precoce do infarto
O Maranhão registrou, entre janeiro e junho de 2025, 1.757 casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e 1.258 casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), segundo dados preliminares da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Em 2024, os números foram ainda maiores: 3.290 casos de infarto e 2.107 de AVC.
Em nível nacional, dados do Sistema Único de Saúde (SUS) apontam 1,6 milhão de atendimentos ambulatoriais relacionados ao infarto no primeiro semestre de 2025. Para comparação, foram 2,9 milhões em 2024 e 2,6 milhões em 2023. Já os procedimentos hospitalares ligados ao infarto totalizaram 93.257 mil em 2025, 177,7 mil em 2024 e 168,8 mil em 2023.
As mortes também são alarmantes: 94.008 mil óbitos por infarto em 2023 e 93.641 mil em 2024, mantendo as doenças cardiovasculares como a principal causa de mortalidade no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2022, 19,8 milhões de pessoas morreram em decorrência de doenças cardiovasculares, o equivalente a 32% de todas as mortes no mundo. Cerca de 85% dessas mortes foram causadas por infarto e AVC, com mais de três quartos dos óbitos ocorrendo em países de baixa e média renda.
Atendimentos e investimentos em AVC
Entre 2023 e junho de 2025, o Ministério da Saúde investiu R$ 949,2 milhões para financiar procedimentos hospitalares e ambulatoriais relacionados ao AVC. Os atendimentos hospitalares somaram 196,3 mil em 2024 e 196,5 mil em 2023. Já os ambulatoriais foram 1 milhão em 2024 e 853,4 mil em 2023. Os óbitos por AVC foram de 33.759 mil em 2023 e 192.220 mil em 2024.
Acreditação hospitalar e seu papel na identificação do infarto
A acreditação hospitalar tem se mostrado fundamental na melhoria da qualidade do atendimento em saúde, especialmente no reconhecimento precoce de infartos.
“A acreditação exige a adoção de protocolos clínicos baseados em evidências, como o de dor torácica, que permite o reconhecimento rápido dos sintomas e uma resposta eficiente”, explica Gilvane Lolato, gerente geral de Operações da Organização Nacional de Acreditação (ONA). Ele destaca que, em instituições acreditadas, o eletrocardiograma (ECG) deve ser realizado em até 10 minutos após a chegada do paciente com dor no peito.
Além disso, hospitais acreditados mantêm uma cultura de segurança, com checklists, fluxos clínicos padronizados e comunicação eficaz entre os setores de atendimento, o que reduz erros e diagnósticos tardios.
“É essencial que as equipes multidisciplinares sejam capacitadas com frequência para agir de forma rápida, segura e eficaz diante de casos de infarto ou AVC”, afirma Gilvane.
Panorama da acreditação no Brasil
Atualmente, das mais de 380 mil organizações de saúde registradas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), apenas 2.329 são acreditadas. A ONA é responsável por 74% dessas certificações, abrangendo mais de 1.700 instituições, incluindo 430 hospitais. Isso representa apenas 0,45% dos serviços de saúde certificados no país.
A maior parte das instituições acreditadas pela ONA está na região Sudeste (61%), seguida por Sul (12,7%), Nordeste (12,1%), Centro-Oeste (11,4%) e Norte (2,8%).
Quanto ao perfil das instituições acreditadas:
- 68,7% são de gestão privada;
- 22,2%, de gestão pública;
- 8,3%, filantrópicas;
- 0,1%, militares.
Até maio de 2025, a ONA havia homologado mais de 5 mil certificados.







