Por Kemuel Sousa
Na estreia de Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira, o Brasil empatou sem gols com o Equador, fora de casa, em uma partida travada e sem grandes emoções. Como esperado, o confronto foi duro, com poucas oportunidades claras para ambos os lados.
O Equador, comandado pelo técnico Beccacece, demonstrou ter uma defesa bem treinada, consistente e difícil de ser vencida. Atuando em seus domínios, os equatorianos tomaram a iniciativa no primeiro tempo, mas sem levar real perigo ao goleiro Alisson. Apesar de maior posse de bola e mais finalizações, a equipe anfitriã pecou na precisão, especialmente nas tentativas do lateral Stupiñán, que arriscou algumas vezes, mas sempre para fora.

Do lado brasileiro, a atuação foi segura defensivamente, destaque defesa zerada, sem levar gols, mas decepcionante no setor ofensivo. O meio-campo teve dificuldades na criação, e a movimentação do ataque foi ineficaz. Richarlison, escalado como centroavante, teve uma atuação abaixo do esperado: falhou em jogadas de pivô e mostrou pouca presença ofensiva. Outro nome que destoou foi Bruno Guimarães, geralmente um motor no meio de campo, mas que desta vez esteve discreto e pouco participativo.
O lance de maior perigo da partida veio ainda no primeiro tempo, após boa roubada de bola do jovem Estevão, que acionou Richarlison em lance truncado. A sobra ficou com Gerson, que optou por um passe em vez do chute. A bola chegou a Vinícius Júnior, que dividiu com os zagueiros, mas viu o goleiro Valle salvar o Equador com boa intervenção.

Na segunda etapa, o panorama pouco mudou. O Equador seguiu mais presente no campo de ataque, mas continuou falhando na definição. O Brasil, por sua vez, manteve sua postura cautelosa, mas sem efetividade ofensiva. A equipe de Ancelotti mostrou organização e solidez defensiva, mas precisa evoluir bastante no setor criativo se quiser almejar mais nas próximas partidas.

Ainda é muito cedo para julgar o trabalho do técnico italiano Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira. É verdade que ele teve pouquíssimo tempo de preparação, apenas três treinos antes da estreia. No entanto, mesmo nessa primeira partida, já surgem alguns questionamentos naturais sobre algumas de suas escolhas.
A começar pela titularidade de Vanderson na lateral-direita, ao invés de Wesley, poderia ter sido uma opção mais adequada. Outro ponto que chama atenção é a demora nas substituições durante o segundo tempo, especialmente diante de um cenário em que o Brasil precisava de mais presença ofensiva e criatividade.
Também causa estranheza a decisão de deixar Matheus Cunha no banco de reservas em favor de Richarlison. O atacante do United vive melhor momento e, sem dúvida, poderia ter oferecido mais mobilidade e presença de área do que Richarlison, que teve atuação apagada.
É apenas o começo do ciclo de Ancelotti, e o tempo certamente trará ajustes e evolução. Ainda assim, é válido observar com atenção essas primeiras decisões. Vamos aguardar os próximos jogos para entender melhor as ideias do treinador e como ele pretende moldar essa nova Seleção Brasileira.







