COP30 começa na Amazônia e marca nova fase da luta global contra a crise climática

Conferência reúne 50 mil participantes em Belém (PA) para discutir transição energética, adaptação climática e financiamento; Brasil busca liderar plano global de ação

A 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30) tem início nesta segunda-feira (10) em Belém (PA), sendo a primeira edição realizada na Amazônia. O evento marca duas semanas decisivas para a ação global contra as mudanças climáticas, reunindo cerca de 50 mil pessoas, entre diplomatas, líderes mundiais, cientistas, empresários e ativistas ambientais.

O que é a COP30

A COP30 é a 30ª edição da Conferência das Partes (COP), o principal fórum internacional de negociação sobre o clima. O encontro reúne governos, especialistas e representantes da sociedade civil com o objetivo de debater e buscar soluções para a crise climática causada pela ação humana.

Realizada anualmente desde 1995 (com exceção de 2020, por causa da pandemia), a conferência é regida pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), firmada no início da década de 1990 por 197 nações. O tratado tem como meta estabilizar as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, reduzindo os impactos humanos sobre o sistema climático da Terra.

Os efeitos da crise já são evidentes. No Brasil, o número de tornados vem aumentando, e o observatório europeu Copernicus registrou que outubro de 2025 foi o terceiro mais quente da história, com temperatura média global de 15,14 °C 0,7 °C acima da média de 1991 a 2020 e 1,55 °C acima do período pré-industrial.

Os três grandes eixos da COP30

As discussões em Belém se organizam em três eixos principais:

  • Transição energética
  • Adaptação climática
  • Financiamento

Na área da transição energética, o Brasil pretende liderar a construção de um “mapa do caminho”, um plano político e técnico com etapas, prazos e responsabilidades para substituir petróleo, gás e carvão por fontes renováveis e eficiência energética.

A transição energética representa um dos maiores desafios das próximas décadas: transformar a maneira como o mundo produz e consome energia, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. O objetivo é garantir que a mudança ocorra de forma justa, ordenada e equitativa, considerando as diferentes capacidades e responsabilidades dos países.

A presidência brasileira da COP30 quer transformar o acordo firmado na COP28, em Dubai, em um plano concreto, com metas mensuráveis e mecanismos verificáveis, indo além de compromissos apenas políticos.

Adaptação e resiliência climática

Outro tema central é o Objetivo Global de Adaptação (GGA), instrumento que pretende medir o quanto os países estão preparados para enfrentar os impactos do clima. A proposta faz parte do Marco UAE–Belém para Resiliência Climática Global e é considerada essencial para avaliar quem está avançando e quem ainda está ficando para trás.

O principal desafio é garantir fontes estáveis e previsíveis de financiamento, evitando que o sistema se torne apenas simbólico.

“É fundamental que a ambição não se limite às ações de mitigação, ela também deve envolver a entrega efetiva de recursos”, destaca Vaibhav Chaturvedi, pesquisador sênior do Council On Energy, Environment and Water (CEEW).

Financiamento climático

No eixo financeiro, os países em desenvolvimento chegam a Belém com uma demanda clara: a crise climática não pode ser tratada separadamente da economia global.

A COP30 deverá definir os próximos passos do Roteiro de Baku a Belém, um plano que busca mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, com juros baixos, mais doações e menos endividamento. O êxito nesse ponto será decisivo para o sucesso da conferência, já que sem financiamento adequado, metas de descarbonização e adaptação se tornam inviáveis.

Outros temas em destaque

Além dos três eixos centrais, a COP30 também discutirá:

  • O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF);
  • O fortalecimento dos mercados de carbono;
  • E o debate sobre racismo ambiental.

O que é o TFFF:


O Fundo Florestas Tropicais para Sempre é uma proposta brasileira que cria um mecanismo financeiro de renda fixa para gerar recursos destinados à conservação de florestas tropicais. O fundo não funciona por meio de doações o lucro das aplicações será usado para remunerar os países que mantêm suas florestas em pé, com prioridade para Brasil, Indonésia e Congo.

A COP30 será, portanto, um espaço para integrar justiça social e justiça climática, além de alinhar os mecanismos que podem tornar a transição energética global realmente inclusiva e sustentável.

__________________________________________________________________________________________________________________

A Nossa Terra Notícias acompanhará de perto todos os debates e discussões da COP30, mantendo você, internauta, bem informado sobre cada passo do maior encontro mundial dedicado ao clima e ao futuro sustentável do planeta.

compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *