Por Kemuel Sousa
E se, no dia 5 de dezembro de 2024, às 14h, exatamente uma hora antes do sorteio dos grupos do Super Mundial de Clubes, um viajante do tempo te dissesse que os quatro clubes brasileiros participantes avançariam à fase mata-mata? Que um deles, inclusive, venceria o campeão da UEFA Champions League? Você acreditaria?
É provável que não. Mas acredite: a fase de grupos terminou, hoje se inicia a fase mata-mata e, contrariando todos os prognósticos, Palmeiras, Flamengo, Fluminense e Botafogo seguem vivos no sonho de conquistar o título do primeiro Super Mundial de Clubes, agora no novo formato com 32 equipes, inspirado na Copa do Mundo de seleções.
A classificação em massa dos clubes brasileiros surpreendeu até os mais otimistas. Em meio a um torneio dominado por gigantes europeus, o Brasil marca presença com força e já deixa sua marca histórica.


O Botafogo, talvez o mais improvável entre os classificados, protagonizou um dos maiores feitos da competição até aqui: venceu o Paris Saint-Germain, atual campeão europeu, na fase de grupos. Mesmo com o PSG poupando alguns titulares, poucos acreditavam em um resultado positivo, principalmente em um grupo que também contava com o Atlético de Madrid. Ainda assim, o Glorioso superou o Seattle Sounders, perdeu para os espanhóis e garantiu a segunda colocação. Agora, o clube carioca reencontra um velho conhecido no mata-mata: o Palmeiras.

Esse confronto nacional traz à tona a rivalidade recente entre as equipes, que têm protagonizado duelos intensos tanto em torneios eliminatórios quanto nas disputas acirradas pelo Campeonato Brasileiro nos últimos dois anos.
Já o Flamengo terá pela frente o poderoso Bayern de Munique, enquanto o Fluminense medirá forças contra a Internazionale de Milão. Desafios imensos, mas que não assustam mais o torcedor brasileiro, que começa a acreditar que tudo é possível neste Super Mundial.

EXPECTATIVA ELEVADA DO TORCEDOR PARA A FASE MATA-MATA
Entrevistamos torcedores dos times brasileiros neste Mundial. Eduardo Espirito Santo, Guilherme Braga, Gutemberg Silva e Eliss Quintanilha, torcedores de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Palmeiras, respectivamente, falaram da expectativa para essa nova fase, dos confrontos e dos caminhos até uma possível final.
— O time do Flamengo está muito bem arrumado, com jogadores tecnicamente capazes de vencer qualquer adversário do mundo. Um bom exemplo foi o Chelsea, que já enfrentamos — destacou Eduardo, relembrando partidas marcantes contra grandes europeus.
Apesar do otimismo, Eduardo não espera facilidade no confronto:
— Vai ser um jogo difícil, claro. Mas, se o Flamengo sair atrás no placar, acredito que o time tem força para buscar o empate e levar a decisão para uma possível prorrogação ou até mesmo para os pênaltis.
Guilherme Braga, torcedor do Fluminense, também é otimista e lembrou do confronto contra outro gigante europeu, o Borussia Dortmund:
— Minhas expectativas pro Fluminense nesse mata-mata do Super Mundial são as melhores possíveis, mas com o pé no chão. Vou te falar: depois desse Mundial em formato de grupos, não dá mais pra duvidar de nada. O Fluminense, entre os brasileiros, talvez seja o mais fraco fisicamente, não tem o mesmo gás de outros. Entretanto, contra o Borussia, que é alemão, time com muito preparo físico, o Tricolor foi bem superior. O Fluminense tá aí, cara. Tá no Mundial. E tem jogo, sim. Não dá pra duvidar.
Guilherme também comentou sobre o espírito dos clubes sul-americanos:
— Esses times sul-americanos estão jogando com mais vontade do que os europeus. Então, eu tenho certeza que o Fluzão vai deixar tudo em campo. Vamos pra cima da Inter!
Gutemberg, torcedor do Botafogo, expressou entusiasmo com o desempenho surpreendente dos clubes brasileiros, especialmente o seu time:
— Quem diria que veríamos nossos times fazendo frente aos gigantes da Europa? O Botafogo, por exemplo, estava num grupo dificílimo, com PSG e Atlético de Madrid. Muita gente achava que a gente perderia de goleada, mas vencemos o PSG e mostramos força. Agora vamos enfrentar o Palmeiras, uma rivalidade recente, mas que promete um grande espetáculo. Que vença o mais preparado.
Ele ainda destacou o reconhecimento internacional que o futebol brasileiro tem conquistado com essa campanha inédita e celebrou o duelo entre dois clubes dirigidos por técnicos portugueses como um reflexo da evolução tática no cenário nacional.
Já a palmeirense Eliss Quintanilha demonstrou grande entusiasmo com a fase de mata-mata. Ela afirmou que “a expectativa é grande demais” e destacou a força do Palmeiras:
— O time vem com uma base sólida, tem elenco, tem técnico e tem camisa pra brigar até o fim.
Sobre o adversário, afirmou:
— Enfrentar o Botafogo não é novidade, lembrando que o confronto “já virou quase clássico recente” por conta das disputas acirradas no Brasileirão e em competições sul-americanas.
Apesar do respeito ao Botafogo — “a gente respeita, claro” — ela reforçou a confiança no Verdão:
— Acredito sim que o Verdão tem tudo pra avançar pras quartas. Para ela, o diferencial é que “esse grupo já mostrou que cresce nos momentos decisivos.”
Encerrando com otimismo, declarou:
— Mais do que passar agora, o torcedor acredita numa campanha longa, quem sabe até título! Palmeiras é time de chegada. Vamos com tudo! Avanti.
O DIREITO DE SONHAR
Será que o futebol brasileiro seguirá surpreendendo o mundo? Veremos três clubes nas próximas fases…? Dois? Um? Nenhum? Tudo é possível. Se este Super Mundial já nos ensinou algo, é que o impossível não existe quando a bola rola. E o Brasil, definitivamente, está pronto para continuar fazendo história.
O torcedor brasileiro tem, sim, o direito de sonhar com esta “Copa do Mundo de Clubes da FIFA”. Até aqui, os quatro representantes do país enfrentaram jogos duros, adversários qualificados, e ainda assim mantêm viva a possibilidade de alcançar um feito histórico. Cada um, com sua identidade, sua trajetória e seus desafios, segue alimentando uma expectativa que atravessa as arquibancadas.
É evidente que a caminhada até o título será extremamente difícil. Chegar à decisão, superar as potências europeias parece algo distante, quase inatingível. Mas é justamente esse o espaço reservado ao torcedor: o da crença, o da esperança. Em meio às diferenças de investimento, de estrutura, de elenco, permanece um ponto em comum entre todas as torcidas brasileiras: a possibilidade, ainda que remota, de alcançar o maior título que o futebol pode oferecer.
E a pergunta é inevitável: por que não? O Botafogo pode, sim, chegar à final. O Palmeiras tem condições de competir em alto nível. O Flamengo também. As barreiras são muitas, Bayern de Munique, Paris Saint-Germain, Manchester City, Juventus, mas, neste momento, elas ainda são apenas possibilidades no caminho. O Fluminense, por exemplo, terá pela frente a vice campeã da Europa, a Inter de Milão. Depois, pode ser qualquer um. Mas isso não invalida o direito de continuar acreditando.
A realidade é que faltam quatro jogos. Apenas quatro partidas separam qualquer um desses clubes de levantar o troféu mais cobiçado, e o mais belo, diga-se de passagem. E, por isso, é legítimo sonhar. O desempenho dos brasileiros até aqui nesta Copa permite esse tipo de reflexão.
É como se estivéssemos, por um breve instante, autorizados a pensar: “E se o nosso time jogasse a Champions League?” “E se disputasse a Premier League?” A diferença é que agora essas comparações deixam o campo da imaginação e encontram respaldo na prática. Porque agora estamos lá. E, neste cenário, sonhar não é exagero. É consequência.







