Primeira edição reuniu apresentações culturais, oficinas, feira criativa e depoimentos emocionados de moradores, artistas e visitantes que celebraram a força da cultura popular maranhense
O Centro Histórico de São Luís viveu um domingo (28) inesquecível, com a realização da primeira edição do Festival Prata da Casa. Em 12 horas de programação, a Praça Nauro Machado e espaços vizinhos se encheram de música, dança, teatro, circo, capoeira, artesanato e alegria, reunindo moradores, turistas, mestres da cultura e novas gerações em um grande encontro de diversidade cultural.
A abertura do evento – com realização da Associação Folclórica Arte Nossa, presidida por Simei Dantas, com produção da Time Projetos e Eventos, contemplado pelo edital Rouanet nas Favelas, via Ministério da Cultura, com patrocínio da Vale – ficou por conta da Banda do Bom Menino, que conduziu cortejo pelas ruas históricas até a chegada do Divino Espírito Santo. Em seguida, o público acompanhou apresentações da Companhia Tapetes, do Teatro de Bonecos de Tácito Borralho, de Alessandra Loba, do Tambor Mirim Arte Nossa, além da Trupe Hu Hu Hu Circo, performances artísticas e rodas de capoeira. À noite, o palco recebeu Roberto Ricci, Saci Teleleu, Itaércio Rocha e Rosa Reis, que emocionaram o público.

Oficina de Toque de Caixa, com Mestra Rosa Barbosa e Celina Barbosa, no Espaço Mandingueiros
Oficinas que formam e encantam
Durante o festival, foram oferecidas cinco oficinas: toque de caixas, capoeira, teatro, dança do tambor e ritmo e canto do tambor de crioula. O coreiro Francisco Barros, conhecido como Corrêa, conduziu uma das atividades: “Hoje foi dia de oficina. A gente brincou, explicou como é feito o tambor, como se dança e colocou o pessoal para aprender com a gente. É sempre um prazer, porque uma apresentação dessa é bom demais. Eu brinco, desde pequeno, e fico feliz de estar aqui”, revelou.

Feirinha Criativa do Festival Prata da Casa reuniu talento, arte e identidade maranhense, valorizando o trabalho de artesãos e empreendedores locais
Feira criativa e talentos locais
A feira criativa reuniu artesanato, estética afro, biojoias e produtos ligados à matriz africana. Para a artesã Lúcia Franco, de 69 anos, o momento foi de valorização: “Isso é maravilhoso, é pra estar sempre acontecendo, porque enquanto a gente se valoriza, os de fora não sabem que nós existimos. Temos uma cultura maravilhosa, riquíssima, então vamos mostrar tudo que sabemos fazer. Eu trouxe minhas biojoias feitas com sementes e escamas, tudo reaproveitado da natureza. A natureza também é cultura, porque sem ela não seríamos nada”, destacou.
A trancista Bruna Carvalho, participante do grupo Tambor Arte Nossa, também viveu a experiência de forma especial: “Foi uma chance incrível que a Tia Simei me deu. Além de dançar, pude trabalhar como trancista aqui na feira criativa. É muito bom estar nesse espaço”, declarou.
Emoção do público
O festival atraiu famílias inteiras. Rosinete Lopes levou a filha e as netas e saiu encantada: “Eu nem ia vir, mas minha irmã me chamou. Cheguei e fiquei surpreendida. Foi um bom dia de apresentações, a gente fica alegre. Acho que temos que viver essas maravilhas aqui no nosso lugar”.
As crianças também tiveram vez. A pequena Maria Luísa Guimarães Santos, de 10 anos, contou que foi prestigiar uma amiga e aproveitou toda a programação. Já outro visitante mirim, de 9 anos, destacou: “Eu gostei mais da capoeira e do tambor de crioula. Estou aqui com minhas amiguinhas e achando tudo muito bom”, frisou.
A emoção também marcou a fala de Ana Patrícia, de 49 anos, que se apresentou no tambor de crioula: “O tambor representa tudo pra mim. Cada dia que eu danço, eu me renovo e me fortaleço. Eu acho que sem o tambor de crioula não dá mais pra viver. Eu diria às pessoas que ainda não conhecem: venham, porque não vão se arrepender!”, disse.
O festival também encantou turistas. O baiano André Lago, de Salvador, fez questão de prestigiar a festa: “Eu sempre procuro o centro histórico para conhecer bem a cultura local. Hoje foi ainda mais especial porque me lembrou muito o Pelourinho. Já conheci artesãos, fiz contatos e estou me sentindo em casa. Foi um encontro com a cultura que me emocionou”, revelou.

Simei Dantas idealizadora e coordenadora do Festival Prata da Casa
Pertencimento
Para a coordenadora e idealizadora do festival, Simei Dantas, cada atração trouxe uma carga especial de emoção e pertencimento: “Foi muito emocionante rever artistas que estavam afastados das programações. Cada apresentação tem um significado especial, porque são nossos amigos, vizinhos e parceiros. A Alessandra Loba deu um show magnífico. Estou muito feliz, porque o festival mostrou que temos público e temos artistas de qualidade que mantêm viva a cultura nesse território”, ressaltou.

A Trupe Hu Hu Hu Circo encantou a todos na Praça Nauro Machado
Um espaço de resistência
O Festival Prata da Casa nasceu da percepção de que muitos artistas e fazedores de cultura do Centro Histórico não encontram espaço nos grandes eventos realizados na região. O projeto busca dar visibilidade, fortalecer a economia criativa local e valorizar a diversidade cultural.
“O nome Prata da Casa traduz esse objetivo: reconhecer os talentos que estão aqui, que produzem e resistem culturalmente. Esse festival é uma forma de fortalecer essa diversidade e mostrar nossa riqueza”, completou Simei.







